A Romaria ao Senhor Jesus dos Milagres é uma das manifestações religiosas e culturais mais marcantes do centro de Portugal, reunindo todos os anos milhares de fiéis e visitantes.
Ao longo do tempo, estas festas tornaram-se das mais populares da região, refletindo uma tradição antiga em que as populações rurais encontravam nas festividades religiosas um dos seus principais momentos de convívio, devoção e celebração.
A origem da romaria remonta a épocas em que os povos das aldeias vizinhas se reuniam para homenagear santos considerados milagrosos.
Foi neste contexto que surgiram os festejos em honra do Senhor Jesus dos Milagres, que rapidamente ganharam grande notoriedade, chegando a rivalizar com importantes romarias como a de Santuário de Nossa Senhora da Nazaré e a de Nossa Senhora da Encarnação.
Com o passar dos anos, a festa soube adaptar-se aos tempos modernos, sem perder a sua identidade.
Antigamente, destacavam-se os círios — grandes romagens vindas de várias localidades — que percorriam a faixa litoral entre a Nazaré e Aveiro. Ainda hoje, muitos peregrinos dessas regiões continuam a marcar presença, frequentemente organizados em excursões, mantendo viva essa ligação histórica.
A devoção expressa-se através de gestos simbólicos profundamente enraizados. Entre eles, destaca-se o beijo nos pés da imagem do Senhor Jesus dos Milagres, seguido da colocação de fitas de cetim, que representam promessas ou agradecimentos por curas de pessoas e animais. São também comuns outras formas de devoção, como o acender de velas e a oferta de figuras em cera.
A festa realiza-se em torno do dia 14 de setembro, data da Exaltação da Santa Cruz, sendo tradicionalmente conhecida como “festa dos catorze”.
Celebra-se nesse dia quando coincide com uma segunda-feira ou, caso contrário, na segunda-feira seguinte. No domingo anterior celebra-se Nossa Senhora da Nazaré, reforçando a ligação entre estas devoções.
No centro desta romaria encontra-se o Santuário do Senhor Jesus dos Milagres, iniciado em 1732 após um milagre atribuído a Jesus Cristo, que deu origem a uma forte corrente de fé popular. Este santuário assume um papel singular, sendo o único da Diocese de Leiria-Fátima dedicado especificamente à devoção a Jesus Cristo, o que reforça a sua importância religiosa na região.
A história do milagre fundador relata a cura de Manuel Francisco Maio, um homem paralítico que recuperou a mobilidade após invocar com fé o Senhor Jesus. A partir desse acontecimento, multiplicaram-se os relatos de graças e curas, atraindo multidões e levando à construção do templo.
De arquitetura inspirada na Basílica de Mafra, o santuário tornou-se um importante centro de peregrinação. Ao longo dos séculos, foi sendo enriquecido artística e espiritualmente, mantendo-se como símbolo da fé e identidade local.
Assim, a Romaria ao Senhor Jesus dos Milagres continua a afirmar-se como uma celebração única, onde a devoção a Cristo, a tradição e a participação popular se unem, perpetuando uma herança viva que atravessa gerações.









